Todo dia faço o mesmo caminho para ir ao trabalho ou levar o filho à escola. Com as últimas chuvas e a falta de manutenção - histórica - do asfalto, os buracos de rua se proliferam como mosquito da dengue em água limpa, parada e sol quente.
No meu trajeto cotidiano, vi nascer um buraco no meio da rua. Começou como todo bebê: pequenino, frágil, indefeso, incapaz de praticar maldade. Vi aquele buraco de rua crescer, foi ficando cada vez maior, robusto. Já não era mais indefeso e sua índole era de praticar maldade. Sua especialidade: quebrar o carro alheio.
Mas sempre mantive uma relação de cuidado. Desviava para não passar por cima dele. Diminuía a velocidade. E percebi o quanto as pessoas são intolerantes. Quando muitos não o viam, xingavam, praguejavam. As pessoas realmente não entendem a natureza de um buraco de rua.
No meio do caminho havia um buraco. Havia um buraco no meio do caminho. Havia porque aquele buraco de rua morreu. Taparam a sua boca. Sua existência findou-se. Hoje passo pelo mesmo caminho e há uma mancha denunciando que um dia ali existiu um buraco de rua. Talvez ele volte um dia com a ajuda da chuva intensa.
Eu não sabia, mas os buracos de rua apresentam ramificações, do tipo metástase, para manter a própria espécie. Depois que aquele buraco de rua se foi, deixou sementes e outros vieram ao longo do meu trajeto cotidiano. Agora vejo nascer outros buracos de rua. Começam como todos os bebês: pequeninos, frágeis, indefesos, incapazes de praticar maldade.
sábado, 7 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Julgamento e rótulo
__Um buraco no estômago denuncia minha existência vazia.
É muito pessimista, sorumbático, soturno, macambúzio.
__Temos que aproveitar a vida, esse dom divino.
Coitada! vê borboletas por todos os lados, enxerga a vida corderrosa.
__Eu não vou conseguir. É muito difícil.
Ele sempre desanima, não tem coragem para lutar. É um fracassado.
__Tenha fé que você consegue tudo. Ele proverá.
Falar para os outros é fácil. Ela é uma papahóstia, uma rata de sacristia.
__Os homens que já tive são muito bons, mas sou melhor que eles.
O que falar dela? É uma depravada.
__Mulher ideal? Não existe. Amo todas.
Ele é um galinha, semvergonha.
__Estou desempregado há mais de três anos.
Não trabalha porque não quer, é um vagabundo.
__Comprei meu carro à vista.
Um fominha. Não paga seus empregados direitos e até a pensão atrasa.
Doem as dores de cada um.
Cada um sabe das dores doloridas.
Umas doem mais
Outras doem menos
Das outras dores
Pelo nosso olhar
Julgar, rotular
Machucar e não curar
É muito pessimista, sorumbático, soturno, macambúzio.
__Temos que aproveitar a vida, esse dom divino.
Coitada! vê borboletas por todos os lados, enxerga a vida corderrosa.
__Eu não vou conseguir. É muito difícil.
Ele sempre desanima, não tem coragem para lutar. É um fracassado.
__Tenha fé que você consegue tudo. Ele proverá.
Falar para os outros é fácil. Ela é uma papahóstia, uma rata de sacristia.
__Os homens que já tive são muito bons, mas sou melhor que eles.
O que falar dela? É uma depravada.
__Mulher ideal? Não existe. Amo todas.
Ele é um galinha, semvergonha.
__Estou desempregado há mais de três anos.
Não trabalha porque não quer, é um vagabundo.
__Comprei meu carro à vista.
Um fominha. Não paga seus empregados direitos e até a pensão atrasa.
Doem as dores de cada um.
Cada um sabe das dores doloridas.
Umas doem mais
Outras doem menos
Das outras dores
Pelo nosso olhar
Julgar, rotular
Machucar e não curar
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Necessidade desnecessária

Que muitas empresas fazem de tudo pra vender produtos não é novidade para ninguém. Que muitos consumidores fazem de tudo pra comprar produtos também não é novidade para ninguém. Algumas campanhas publicitárias, no entanto, abusam da inteligência e da paciência do consumidor e da consumidora. Aliás, publicidade tem o efeito de criar necessidade desnecessária.
Num rápido teste, conte - mentalmente - quantos sapatos você tem. Agora conte quantos você não usa há pelo menos cinco meses. Aquele anúncio de sapato - com descontos especiais, em 6 X e a primeira somente para janeiro - faz você sentir um comichão para comprá-lo? Se você pensou sim, então a publicidade criou uma necessidade desnecessária.
Voltando às campanhas abusivas, uma marca de esmalte lançou, recentemente uma coleção baseada nos pecados capitais. Entre os vermelhos da paleta de cores, há o doce orgulho, a preguicinha, a possessão rosa, a pura luxúria, a santa gula, o toque de ira e a inveja boa.
Dos pecados capitais alguns são mais pecaminosos. É bonito e confere status dizer que tive orgulho do meu feito. Não mexa comigo que viro bicho, me sobe a ira. Ai! não me contive, cedi à gula e comi demais. Sou fera na cama, a luxúria me coça inteiro, que tesão... (ui!). Depois do almoço, aaaaaaaaai! que preguicinha.
Já repararam que ninguém gosta dizer que tem inveja? É feio. E quando o sujeito ou a sujeita admite que tem inveja cria um eufemismo para suavizar a culpa diante do Criador. Diz que tem uma invejinha boa.
__Como assim? Desde quando inveja é boa?
__Não é inveja. É aquela vontade de ter ou ser igual ao outro. Aí a gente luta pra conseguir também.
__Ah! tá, então não é inveja. Não é competição? Já ouvi falar que a competição está a serviço da inveja. Então...
__Credo! Eu só falei da inveja boa.
__Boa! Sei. Consulte o dicionário.
Michaellis afirma que in.ve.ja é um substantivo feminino que designa 1. desgosto, ódio ou pesar por prosperidade ou alegria de outrem; 2. desejo de possuir ou gozar algum bem que outrem possui ou desfruta; 3. o objeto que provoca esse desejo.
Se existe inveja boa, então existe ira calma, orgulho humilde, gula temperante, preguiça resolutiva, avareza desapegada e luxúria casta. Olhe isso! luxúria casta. A putaria não vai mais ser a mesma.
Num rápido teste, conte - mentalmente - quantos sapatos você tem. Agora conte quantos você não usa há pelo menos cinco meses. Aquele anúncio de sapato - com descontos especiais, em 6 X e a primeira somente para janeiro - faz você sentir um comichão para comprá-lo? Se você pensou sim, então a publicidade criou uma necessidade desnecessária.
Voltando às campanhas abusivas, uma marca de esmalte lançou, recentemente uma coleção baseada nos pecados capitais. Entre os vermelhos da paleta de cores, há o doce orgulho, a preguicinha, a possessão rosa, a pura luxúria, a santa gula, o toque de ira e a inveja boa.
Dos pecados capitais alguns são mais pecaminosos. É bonito e confere status dizer que tive orgulho do meu feito. Não mexa comigo que viro bicho, me sobe a ira. Ai! não me contive, cedi à gula e comi demais. Sou fera na cama, a luxúria me coça inteiro, que tesão... (ui!). Depois do almoço, aaaaaaaaai! que preguicinha.
Já repararam que ninguém gosta dizer que tem inveja? É feio. E quando o sujeito ou a sujeita admite que tem inveja cria um eufemismo para suavizar a culpa diante do Criador. Diz que tem uma invejinha boa.
__Como assim? Desde quando inveja é boa?
__Não é inveja. É aquela vontade de ter ou ser igual ao outro. Aí a gente luta pra conseguir também.
__Ah! tá, então não é inveja. Não é competição? Já ouvi falar que a competição está a serviço da inveja. Então...
__Credo! Eu só falei da inveja boa.
__Boa! Sei. Consulte o dicionário.
Michaellis afirma que in.ve.ja é um substantivo feminino que designa 1. desgosto, ódio ou pesar por prosperidade ou alegria de outrem; 2. desejo de possuir ou gozar algum bem que outrem possui ou desfruta; 3. o objeto que provoca esse desejo.
Se existe inveja boa, então existe ira calma, orgulho humilde, gula temperante, preguiça resolutiva, avareza desapegada e luxúria casta. Olhe isso! luxúria casta. A putaria não vai mais ser a mesma.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Palavras indecentes
O politicamente correto tomou conta das expressões e dos vocábulos. A língua já não é mais a mesma. Mas tem gente que teima em desobedecer as regras...
Carlinhos tem 7 anos de idade, é cego...
__ Senhor Narrador! Cego? Carlinhos tem 7 anos, é uma pessoa com deficiência visual. Corrigiu-me a professora do Carlinhos. Então, tá...
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que na vila dele, um menor infrator foi preso pela Polícia porque era drogado...
__ Ops! Senhor Narrador! Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma criança com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa.
__Obrigado professora!
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma criança com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente analfabeto. Ele tinha retardo mental, e...
__ Senhor Narrador, que coisa feia! Atente-se para os bons modos vocabulares! Havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais, e...
__Professora, obrigado!
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que o bicho pega. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, uma flor de garoto, com trejeitos boiola,
__Mais uma vez, senhor Narrador! Apure o verbo! E é aí que a situação começa a dar ares de complicação... e Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual.
__Obrrrrigado, professora...
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que a situação começa a dar ares de complicação. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual. Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da vagabunda da vila; o Paulão, o filho do mecânico picareta e corno, ...
__Que absurdo, senhor Narrador! Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da mulher de índole e moral duvidosas da vila; o Paulão, o filho do mecânico desonesto e vítima de adultério em seu matrimônio.
__Arg! Professora...!
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que a situação começa a dar ares de complicação. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual. Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da mulher de índole e moral duvidosas da vila; o Paulão, o filho do mecânico desonesto e vítima de adultério em seu matrimônio. Como uma das guias da excursão - dona Geni - uma velha simpática. Ela odeia ficar em casa encostada e, muito menos, fazer sapatinho de tricô para os netos mal educados e mimados. Tanto que ela se juntou a outras duas donas para cuidar da excursão. Dona Gervásia, pra lá dos 60 e separada do marido; e Gertrudes, que amigou com o seo Raimundo.
__ Pare, senhor Narrador! Suas palavras soam difamação, cheiram a calúnia. Como uma das guias da excursão - dona Geni - uma senhora simpática. Ela não gosta de ficar em sua residência vivendo de forma passiva e na sua melhor idade não gosta de fazer sapatinho de tricô para os netos de comportamento difícil e temperamento controverso. Tanto que ela se juntou a outras duas senhoras para cuidar da excursão. Dona Gervásia, com mais de 60 anos e divorciada; e Gertrudes, que vive maritalmente com o seo Raimundo. Viu?! Senhor Narrador!
__Put... Sim, professora...!
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que o bicho pega. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual. Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da mulher de índole e moral duvidosas da vila; o Paulão, o filho do mecânico desonesto e vítima de adultério em seu matrimônio. Como uma das guias da excursão - dona Geni - uma senhora simpática. Ela não gosta de ficar em sua residência vivendo de forma passiva e na sua melhor idade não gosta de fazer sapatinho de tricô para os netos de comportamento difícil e temperamento controverso. Tanto que ela se juntou a outras duas senhoras para cuidar da excursão. Dona Gervásia, com mais de 60 anos e divorciada; e Gertrudes, que vive maritalmente com o seo Raimundo. Durante a viagem aconteceu uma desgraceira. O filho da puta do motorista dormiu no volante da merda do ônibus, caiu numa ribanceira horrorosa e poucos sobreviveram. Apenas o cego, o drogado, o viadinho e as três velhas...
__ Chega! Senhor Narrador. Isso é demais! Durante a viagem aconteceu algo terrível. O coitado do motorista dormiu ao volante do veículo, caiu num precipício de difícil acesso e poucos sobreviveram. Apenas...
Sei, sei , professora... a pessoa com deficiência visual, o usuário de substâncias psicoativas, o garoto com tendências à orientação homossexual e as três senhoras da melhor idade. Ai! Ai! Estou tendo troço. Uma dor na cabeça terrível. Deve ser um derrame...
__Senhor Narrador! Nem nessas horas! Esse xilique é um AVC - acidente vascular cerebral!
* * *
Crônica publicada originalmente no WebJornal ComTexto/Unopar em 30 de maio de 2007.
Carlinhos tem 7 anos de idade, é cego...
__ Senhor Narrador! Cego? Carlinhos tem 7 anos, é uma pessoa com deficiência visual. Corrigiu-me a professora do Carlinhos. Então, tá...
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que na vila dele, um menor infrator foi preso pela Polícia porque era drogado...
__ Ops! Senhor Narrador! Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma criança com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa.
__Obrigado professora!
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma criança com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente analfabeto. Ele tinha retardo mental, e...
__ Senhor Narrador, que coisa feia! Atente-se para os bons modos vocabulares! Havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais, e...
__Professora, obrigado!
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que o bicho pega. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, uma flor de garoto, com trejeitos boiola,
__Mais uma vez, senhor Narrador! Apure o verbo! E é aí que a situação começa a dar ares de complicação... e Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual.
__Obrrrrigado, professora...
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que a situação começa a dar ares de complicação. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual. Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da vagabunda da vila; o Paulão, o filho do mecânico picareta e corno, ...
__Que absurdo, senhor Narrador! Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da mulher de índole e moral duvidosas da vila; o Paulão, o filho do mecânico desonesto e vítima de adultério em seu matrimônio.
__Arg! Professora...!
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que a situação começa a dar ares de complicação. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual. Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da mulher de índole e moral duvidosas da vila; o Paulão, o filho do mecânico desonesto e vítima de adultério em seu matrimônio. Como uma das guias da excursão - dona Geni - uma velha simpática. Ela odeia ficar em casa encostada e, muito menos, fazer sapatinho de tricô para os netos mal educados e mimados. Tanto que ela se juntou a outras duas donas para cuidar da excursão. Dona Gervásia, pra lá dos 60 e separada do marido; e Gertrudes, que amigou com o seo Raimundo.
__ Pare, senhor Narrador! Suas palavras soam difamação, cheiram a calúnia. Como uma das guias da excursão - dona Geni - uma senhora simpática. Ela não gosta de ficar em sua residência vivendo de forma passiva e na sua melhor idade não gosta de fazer sapatinho de tricô para os netos de comportamento difícil e temperamento controverso. Tanto que ela se juntou a outras duas senhoras para cuidar da excursão. Dona Gervásia, com mais de 60 anos e divorciada; e Gertrudes, que vive maritalmente com o seo Raimundo. Viu?! Senhor Narrador!
__Put... Sim, professora...!
Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que o bicho pega. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual. Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da mulher de índole e moral duvidosas da vila; o Paulão, o filho do mecânico desonesto e vítima de adultério em seu matrimônio. Como uma das guias da excursão - dona Geni - uma senhora simpática. Ela não gosta de ficar em sua residência vivendo de forma passiva e na sua melhor idade não gosta de fazer sapatinho de tricô para os netos de comportamento difícil e temperamento controverso. Tanto que ela se juntou a outras duas senhoras para cuidar da excursão. Dona Gervásia, com mais de 60 anos e divorciada; e Gertrudes, que vive maritalmente com o seo Raimundo. Durante a viagem aconteceu uma desgraceira. O filho da puta do motorista dormiu no volante da merda do ônibus, caiu numa ribanceira horrorosa e poucos sobreviveram. Apenas o cego, o drogado, o viadinho e as três velhas...
__ Chega! Senhor Narrador. Isso é demais! Durante a viagem aconteceu algo terrível. O coitado do motorista dormiu ao volante do veículo, caiu num precipício de difícil acesso e poucos sobreviveram. Apenas...
Sei, sei , professora... a pessoa com deficiência visual, o usuário de substâncias psicoativas, o garoto com tendências à orientação homossexual e as três senhoras da melhor idade. Ai! Ai! Estou tendo troço. Uma dor na cabeça terrível. Deve ser um derrame...
__Senhor Narrador! Nem nessas horas! Esse xilique é um AVC - acidente vascular cerebral!
* * *
Crônica publicada originalmente no WebJornal ComTexto/Unopar em 30 de maio de 2007.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Inquietudes (III) do Rei
O brasileiro sempre transfere a responsabilidade, até quando constrói, reforma ou amplia. Por que o dono da bagunça sempre teima em pedir para desculpar o transtorno?
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Avental glúteo
A indústria da moda sempre foi muito forte. Estilistas. Costureiras. Editoriais de moda. Fábricas. Lojas. E, é claro, muitos consumidores. Neste caso é mais pertinente afirmar muitas consumidoras. A moda feminina atravessa o tempo inventando e reinventando-se.
O que a personagem da novela das oito (das sete, das seis, da concorrência) usa na telinha, em pouco tempo está nas ruas. Da moda casual à fashion, as mulheres reproduzem helenas, sílvias, yvones e bebels. Afinal prostituta global tem "catiguria". Viva as pitangas!
Do guarda-roupa profissional, passando pelo armário de festas, um segmento que cresceu - e tem muito para crescer - é a moda das academias, que abusam de tops, malhas e muitos acessórios. Graças ao design, justíssimos.
Neste cenário tem barriguinha de fora, com ou sem piercing no umbigo, e calça (deve ter outro nome e eu não sei) de malha apertada para tornear o bumbum e as coxas. Coisa que toda brasileira (que tem bunda saliente, é claro!) gosta de exibir.
Como a malha separa as duas bandas por causa da malha apertada e da pequena peça íntima da qual é possível ver a marca do elástico cravada no meio, as mais envergonhadas em exibir toda a saliência aproveitam um acessório da moda: o avental glúteo, uma espécie de capa.
Avental, segundo o Michaelis, é "resguardo de pano, couro ou plástico que se usa diante da roupa para protegê-la." Glúteo, segundo o mesmo, "se refere às nádegas". Portanto, avental glúteo é um acessório - nada fashion - para proteção traseira.
As que têm vergonha em exibir esse "look" (ui! - ô palavrinha besta!), optam pela camiseta da semana nacional do trânsito - aquelas que esgarçam depois da primeira lavada - e um agasalho que faz inveja a qualquer pijama. Fazer o que?
Mas se a malha - aquela das exibicionistas (ainda bem que elas existem) - é apertada propositalmente por que inventar um acessório para esconder o que, inicialmente, era para mostrar, exibir, revelar, expor? Há muito mais mistérios entre a indústria e as ruas do que sonha a nossa vã filosofia.
O que a personagem da novela das oito (das sete, das seis, da concorrência) usa na telinha, em pouco tempo está nas ruas. Da moda casual à fashion, as mulheres reproduzem helenas, sílvias, yvones e bebels. Afinal prostituta global tem "catiguria". Viva as pitangas!
Do guarda-roupa profissional, passando pelo armário de festas, um segmento que cresceu - e tem muito para crescer - é a moda das academias, que abusam de tops, malhas e muitos acessórios. Graças ao design, justíssimos.
Neste cenário tem barriguinha de fora, com ou sem piercing no umbigo, e calça (deve ter outro nome e eu não sei) de malha apertada para tornear o bumbum e as coxas. Coisa que toda brasileira (que tem bunda saliente, é claro!) gosta de exibir.
Como a malha separa as duas bandas por causa da malha apertada e da pequena peça íntima da qual é possível ver a marca do elástico cravada no meio, as mais envergonhadas em exibir toda a saliência aproveitam um acessório da moda: o avental glúteo, uma espécie de capa.
Avental, segundo o Michaelis, é "resguardo de pano, couro ou plástico que se usa diante da roupa para protegê-la." Glúteo, segundo o mesmo, "se refere às nádegas". Portanto, avental glúteo é um acessório - nada fashion - para proteção traseira.
As que têm vergonha em exibir esse "look" (ui! - ô palavrinha besta!), optam pela camiseta da semana nacional do trânsito - aquelas que esgarçam depois da primeira lavada - e um agasalho que faz inveja a qualquer pijama. Fazer o que?
Mas se a malha - aquela das exibicionistas (ainda bem que elas existem) - é apertada propositalmente por que inventar um acessório para esconder o que, inicialmente, era para mostrar, exibir, revelar, expor? Há muito mais mistérios entre a indústria e as ruas do que sonha a nossa vã filosofia.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Frescuras de mercado
Brasileiro sempre teve mania de importar palavras para substituir o bom e velho português. No mercado, então, isso é febre. Parece que falar em português ofende todos os ouvidos – dos limpos, passando pelos com zumbidos, aos cheios de cera.
Que o professor de educação física tenha virado personal trainner tudo bem. A gente até já se acostumou, mas esse mercado cria cada coisa...
Lembram a antiga boleira? Aquela de mão cheia que morava perto da casa de uma tia quando a gente era pequeno? Aquela boleira que fazia o bolo de aniversário da molecada da rua inteira? Então, essa boleira virou cake designer. E o pior. Aquela a-mi-ga dela que não a vê há muito pergunta.
__E aí o que você faz?
__Sou cake designer.
__Queique o que?
Deixa pra lá. Mas nada está tão ruim que não pode piorar. Aquele salão de cabeleireiro é elegante mesmo. O dono não assina mais em português. Inglesou-se. Hoje ele não é mais um cabeleireiro; é hair stylist. Só de pirraça, o salão concorrente da esquina também mudou de nome. Afrancesou-se. O dono agora é um coiffeur.
Brinca com os dois. E você que achava que no salão era só lavar, secar, cortar e pintar de acaju!
Acaju é a cor do cabelo daquela personal stylist. Ela que já é especializada em look masculino agora está fazendo um MBA em look feminino. Tem coisa mais fashion que essa?
Só não é fashion, quando a personal baby daquela personal stylist vai desleixada para o trabalho. A avó da babysinha fica disacorsoada. E disacorsoada mesmo a velhinha ficou quando quis comprar uma pantufa e olha que ela nem sabe que essa palavra é de origem Inca e significa pegada grande. Já pensou a velhinha ir comprar um pezão? É não ia pegar bem.
E ela foi comprar no maior shopping center. Queria estacionar, mas errou a mão durante uma manobra no Parking e quase atropelou uma personal shopper que fazia um break. Já pensou essa coitada perder as comissões da sale do dia que tinha preços até 60% off?
Bem, a vovozinha conseguiu comprar sua pantufa e terminou o dia na praça de fast food, mas como ela é up to date, montou seu próprio prato no self service. Comeu filet e, de sobremesa, mousse de maracujá.
Que o professor de educação física tenha virado personal trainner tudo bem. A gente até já se acostumou, mas esse mercado cria cada coisa...
Lembram a antiga boleira? Aquela de mão cheia que morava perto da casa de uma tia quando a gente era pequeno? Aquela boleira que fazia o bolo de aniversário da molecada da rua inteira? Então, essa boleira virou cake designer. E o pior. Aquela a-mi-ga dela que não a vê há muito pergunta.
__E aí o que você faz?
__Sou cake designer.
__Queique o que?
Deixa pra lá. Mas nada está tão ruim que não pode piorar. Aquele salão de cabeleireiro é elegante mesmo. O dono não assina mais em português. Inglesou-se. Hoje ele não é mais um cabeleireiro; é hair stylist. Só de pirraça, o salão concorrente da esquina também mudou de nome. Afrancesou-se. O dono agora é um coiffeur.
Brinca com os dois. E você que achava que no salão era só lavar, secar, cortar e pintar de acaju!
Acaju é a cor do cabelo daquela personal stylist. Ela que já é especializada em look masculino agora está fazendo um MBA em look feminino. Tem coisa mais fashion que essa?
Só não é fashion, quando a personal baby daquela personal stylist vai desleixada para o trabalho. A avó da babysinha fica disacorsoada. E disacorsoada mesmo a velhinha ficou quando quis comprar uma pantufa e olha que ela nem sabe que essa palavra é de origem Inca e significa pegada grande. Já pensou a velhinha ir comprar um pezão? É não ia pegar bem.
E ela foi comprar no maior shopping center. Queria estacionar, mas errou a mão durante uma manobra no Parking e quase atropelou uma personal shopper que fazia um break. Já pensou essa coitada perder as comissões da sale do dia que tinha preços até 60% off?
Bem, a vovozinha conseguiu comprar sua pantufa e terminou o dia na praça de fast food, mas como ela é up to date, montou seu próprio prato no self service. Comeu filet e, de sobremesa, mousse de maracujá.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Plano participativo
Não se trata de convênio de saúde que cobra uma fortuna e fornece poucos e limitados procedimentos – sejam ambulatoriais ou hospitalares – para seus segurados (e as seguradas também!).
Não se trata de programa governamental para discutir políticas públicas em que o gestor faz de conta que descentraliza e o cidadão (e a cidadã também!) faz de conta que ajuda a governar.
Não se trata de plano de ensino de professor (e de professora também!) antenado para que o conhecimento seja construído em sala de aula conjuntamente com seus alunos (e as alunas também!).
Não se trata de artifício publicitário de publicações jornalísticas para que o leitor (e a leitora também!) tenha a sensação de participar da seleção de conteúdo do que será publicado.
Não se trata de estratégia de mercado de empresas que alegam que o se o cliente (e a clienta também!) puder opinar acabará achando soluções corporativas, e o melhor, de graça.
Não se trata de instrumento de entidades comunitárias para incentivar a participação de homens (e mulheres também!) na vida da própria comunidade.
Não se trata de pais (e mães também!) moderninhos que implantaram o modelo wiki de educação e adoram dizer que os filhos (e as filhas também!) foram criados no mais puro diálogo.
Plano Participativo. Então do que se trata?
Trata-se de um mecanismo de participação divina. Antes de o Todo Poderoso decidir o plano para a sua vida, você poderá debater, argumentar, arguir, vetar, planejar a dois, enfim... participar. Mas no fim – ou seria começo? – você não poderá reclamar.
Não se trata de programa governamental para discutir políticas públicas em que o gestor faz de conta que descentraliza e o cidadão (e a cidadã também!) faz de conta que ajuda a governar.
Não se trata de plano de ensino de professor (e de professora também!) antenado para que o conhecimento seja construído em sala de aula conjuntamente com seus alunos (e as alunas também!).
Não se trata de artifício publicitário de publicações jornalísticas para que o leitor (e a leitora também!) tenha a sensação de participar da seleção de conteúdo do que será publicado.
Não se trata de estratégia de mercado de empresas que alegam que o se o cliente (e a clienta também!) puder opinar acabará achando soluções corporativas, e o melhor, de graça.
Não se trata de instrumento de entidades comunitárias para incentivar a participação de homens (e mulheres também!) na vida da própria comunidade.
Não se trata de pais (e mães também!) moderninhos que implantaram o modelo wiki de educação e adoram dizer que os filhos (e as filhas também!) foram criados no mais puro diálogo.
Plano Participativo. Então do que se trata?
Trata-se de um mecanismo de participação divina. Antes de o Todo Poderoso decidir o plano para a sua vida, você poderá debater, argumentar, arguir, vetar, planejar a dois, enfim... participar. Mas no fim – ou seria começo? – você não poderá reclamar.
sábado, 5 de setembro de 2009
Inquietudes (II) do Rei
Combater a corrupção é um trabalho mais árduo (e permanente) do que combater apenas os corruptos de plantão.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Essa Língua Portuguesa
Criança tem um senso lógico muito interessante e relacionado à Língua Portuguesa as palavras assumem contornos, revelando novos sons, formas e – por que não? – sentidos. Num parquinho com meu filho, dias desses, acabei ouvindo o papo de duas crianças pequenas. Um agrediu o outro verbalmente e este tascou um adjetivo.
__Seu psicopato!
A Yvone deve ter se deleitado na novela das oito. Está fazendo escola até no jardim de infância. Se bem que não precisa muito, criança também sabe ser perversa, afinal bulling é uma prática criminosa infantil. Mas enfim...
Como explicar que um menino não é psicopato, mas um psicopata? Afinal na nossa língua – com implicações sociais e definições de gênero – menino é O e menina é A? Que nem aquela coisa das cores, menino é azul e menina e rosa. Então nada mais lógico que a menina é psicopata e o menino é psicopato.
Alguns autores – ignorando as regras gramaticais mais ortodoxas – andam flexionando as palavras para concordar com o gênero. Por exemplo, há quem defenda a cobra macha e o elefante fêmeo. E o pior de tudo, ao digitar isso no Word, o programa não apontou erro algum. Vai entender...
Talvez seja mesmo a inocência infantil e o senso das crianças falando mais alto. No processo de educação, os métodos mais modernos ensinam que se deve respeitar o jeito da criança falar. Ela não fala errado, fala do jeito dela. Mas chega uma hora que vai querer aprender a falar corretamente.
Isso me lembra uma amiga que conversava com o filho pequeno e este perguntava algo e a mãe insistia que o jeito do filho falar era correto porque era o jeito dele. O moleque não agüentou e advertiu a mãe.
__Não quero do meu jeito, quero do jeito certo!
Então tá.
Deve ser por isso que quando o Otávio era ainda mais criança mudava umas palavras que, aparentemente, não faziam sentido. A centopéia virou miltopéia, afinal parece ter mais de mil perninhas; e o caramujo virou caranojo. Realmente, o bichinho é nojento!
__Seu psicopato!
A Yvone deve ter se deleitado na novela das oito. Está fazendo escola até no jardim de infância. Se bem que não precisa muito, criança também sabe ser perversa, afinal bulling é uma prática criminosa infantil. Mas enfim...
Como explicar que um menino não é psicopato, mas um psicopata? Afinal na nossa língua – com implicações sociais e definições de gênero – menino é O e menina é A? Que nem aquela coisa das cores, menino é azul e menina e rosa. Então nada mais lógico que a menina é psicopata e o menino é psicopato.
Alguns autores – ignorando as regras gramaticais mais ortodoxas – andam flexionando as palavras para concordar com o gênero. Por exemplo, há quem defenda a cobra macha e o elefante fêmeo. E o pior de tudo, ao digitar isso no Word, o programa não apontou erro algum. Vai entender...
Talvez seja mesmo a inocência infantil e o senso das crianças falando mais alto. No processo de educação, os métodos mais modernos ensinam que se deve respeitar o jeito da criança falar. Ela não fala errado, fala do jeito dela. Mas chega uma hora que vai querer aprender a falar corretamente.
Isso me lembra uma amiga que conversava com o filho pequeno e este perguntava algo e a mãe insistia que o jeito do filho falar era correto porque era o jeito dele. O moleque não agüentou e advertiu a mãe.
__Não quero do meu jeito, quero do jeito certo!
Então tá.
Deve ser por isso que quando o Otávio era ainda mais criança mudava umas palavras que, aparentemente, não faziam sentido. A centopéia virou miltopéia, afinal parece ter mais de mil perninhas; e o caramujo virou caranojo. Realmente, o bichinho é nojento!
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